07 / dez / 2018

Conheça a Casa Flutuante Autossustentável

Lar é onde a gente se sente bem. Não é à toa que existem os mais diferentes tipos de casa ao redor do mundo, algumas até bem exóticas. Isso porque elas foram projetadas para atender aos desejos específicos dos seus proprietários, que buscavam algo diferente e que refletisse sua personalidade. Então encontramos exemplos bem divertidos, como casas na árvore, em cavernas e muitos mais.

A novidade do momento, no entanto, vai além da vontade de uma ou mais pessoas e foca em uma necessidade mundial: a preservação do meio ambiente. E assim nasceu o Exbury Egg, uma casa totalmente sustentável e tão em sintonia com a natureza que traz mais uma particularidade: ela foi desenvolvida para flutuar no rio.

Por dentro do Exbury Egg

A casa flutuante é uma criação conjunta com três vertentes:

Stephen Turner: artista inglês cujo trabalho em grande parte se dedica a morar em lugares fora do comum para observar de perto e viver mudanças que impactem na complexa relação entre a natureza e a existência humana.

spudGROUP: uma organização sediada no Reino Unido que trabalha com pessoas das mais diferentes formações e habilidades para desenvolver projetos que combinem arte, educação e arquitetura.

PAD Studio: premiado estúdio de arquitetura localizada na cidade de Lymington, Hampshire, Inglaterra, dedicado a projetos que sejam “belos, únicos e sustentáveis”, com uma abordagem holística da sustentabilidade.

Seu nome vem da sua localização, no rio Beaulieu, ao lado da cidade de Exbury. Foram necessários três anos de trabalho para desenvolver o Exbury Egg. O resultado foi uma estrutura sólida e resistente o suficiente para aguentar a força das marés e a ação de vento, chuva e sol por 365 dias.

1 ano foi o período de tempo escolhido pelo artista para morar no Exbury Egg. Seu objetivo era criar um laço mais profundo com a natureza, explorando uma relação mais empática com ela através da observação da vida aquática e das mudanças na ecologia marina. Durante o período, Turner aproveitou para desenvolver obras inspiradas pelo lugar.

A experiência serviu para entender melhor o papel dos ciclos naturais na narrativa das atividades humanas do dia a dia. O resultado foi uma profunda reflexão sobre as formas de viver e a maneira como nos conectamos à natureza na era da tecnologia.

Esse contraste entre o moderno e o natural foi uma das reflexões mais interessantes levantadas pelo projeto. A casa-ovo nos mostra que para vivermos uma vida mais sustentável e ligada ao meio ambiente, não precisamos necessariamente abrir mão da tecnologia ou dos confortos da vida moderna, muito pelo contrário. A própria tecnologia pode servir como um elo entre os dois mundos e contribuir para a criação de soluções que favoreçam a preservação da natureza. Basta ter criatividade, estudo e comprometimento com a causa.

Estrutura

O ovo de Exbury é todo feito de madeira e foi construído por um marceneiro tradicional, que ao invés de utilizar técnicas avançadas e ultramodernas no projeto, recorreu a métodos antigos e já consagrados para a construção de barcos. Seu interior é bastante simples, com poucos utensílios, mas oferece o básico: um lugar para dormir, espaço para acomodar uma secretária e um banheiro, além de uma bancada onde as refeições do dia a dia são preparadas.

Casas Autossustentáveis

Embora ainda estejamos longe de habitar casas autossustentáveis em massa, o conceito vem cada vez mais sendo explorado ao redor do mundo, em projetos que aproveitam os próprios recursos naturais disponíveis ou reciclam materiais para construir moradias ecologicamente conscientes.

Um bom exemplo é a “Tol-Haru, Ushuaia. A Nave Terra do Fim do Mundo”, construída pela ONG Natureza Aplicada à Tecnologia (NAT) na Argentina utilizando duas construções cilíndricas de cerca de 50 m², feitas com 300 pneus, três mil latas, cinco mil garrafas de plástico, três mil de vidro, entre outros materiais reciclados.

Outra iniciativa mais recente e menos experimental é a Phi Suea House, uma habitação inovadora criada pela CNX Construction em Chiang Mai, na Tailândia. Ela utiliza um sistema solar-hidrogênio para gerar energia de maneira sustentável, fornecendo 24 horas de energia limpa por dia, mesmo em períodos de tempo ruim, com excesso de nuvens ou chuva. Além disso, a casa autossustentável da Tailândia possui ainda painéis térmicos que servem para aquecer água, sistemas de ventilação natural, lâmpadas LED de baixa potência, ventiladores que reduzem a utilização de ar-condicionado e um sistema que reaproveita a água da chuva e a reutiliza para irrigação.

Seja em projetos artísticos ou experimentais, o interesse pelo desenvolvimento de uma casa autossuficiente mostra que a preocupação com as gerações futuras é uma realidade bastante urgente. Por isso, mesmo que essas iniciativas ainda estejam engatinhando, elas têm uma importância altíssima para a preservação do meio ambiente. Vale a pena ficar de olho nessas novidades. Quem sabe, daqui a alguns anos, você não seja o feliz proprietário de uma casa flutuante?

Fontes: autosustentável; archdaily; revista casa e jardim; spudgroup; sustentar aqui; techne17; spudgroup: who we are; padstudio; G1; exburyeggtour