01 / mar / 2019

Conheça a ciclovia que gera energia solar

Quando se fala em sustentabilidade, uma das medidas mais importantes para a preservação do meio ambiente é a utilização cada vez mais de energias limpas. As energias limpas, ou renováveis, são aquelas que não produzem resíduos poluidores e não se esgotam, como é o caso da eólica (que utiliza o vento) e a solar (que utiliza a luz do sol).

Por outro lado, as energias não renováveis – ou sujas – são as que lançam poluentes sobre a atmosfera e prejudicam nossa saúde, como a nuclear, carvão mineral e petróleo. Além de prejudicarem nosso bem-estar, essas fontes de energia se esgotam e possuem alto custo de manutenção e operação.

Por isso, cada vez mais empresas, pesquisadores e cientistas estão unidos para encontrar novas formas de viabilizar uma geração de energia limpa mais simples e acessível. E um grande novo passo foi dado nessa direção no final do ano passado, com o surgimento da ciclovia geradora de energia solar.

A ciclovia que gera energia solar

Para conhecer esse projeto inovador, precisamos ir até o povoado alemão de Erftstadt, localizado a cerca de 30 quilômetros de Colônia. É lá que se localiza o promissor projeto-piloto, intitulado “a primeira rota solar da Alemanha”.

A única mudança feita no trajeto da ciclovia foi a aplicação de uma malha de pastilhas fotovoltaicas por sua extensão. A via continua toda ali do jeito que sempre foi, com desníveis e raízes de árvores. Começa aí uma das maiores vantagens da invenção: ela dispensa a necessidade de construção de novas ciclovias, aproveitando as que já existem.

A criação é do engenheiro Donald Müller-Judex, que teve a ideia quando procurava, sem sucesso, espaços para a instalação de painéis solares em Allgaü. Enquanto todos os telhados já estavam ocupados, havia muito espaço disponível nas ruas – mais precisamente, 1,4 bilhão de m² com pouca sombra em toda a Alemanha, de acordo com ele.

Para colocar o projeto em prática, Müller-Judex fundou sua própria startup, a Solmove, que desenvolve o revestimento utilizado nas ciclovias. O próprio engenheiro, no entanto, admite que, embora a técnica seja eficiente, ela gera menos eletricidade que o método tradicional, que usa os telhados das casas.

Mil e uma utilidades

A vantagem do método desenvolvido por Müller-Judex é a sua multifuncionalidade. Entre os usos possíveis para o seu sistema de ladrilhos está a associação com circuitos de aquecimento, iluminação LED e até a possibilidade de carregamento de veículos elétricos. Além disso, é possível programar sensores para atuar no controle de tráfego, com sinais indicativos e até semáforos.

A utilização da energia para o aquecimento das vias, aliás, é um dos benefícios mais interessantes gerados pela ciclovia solar. Ela permite que a pista se autodescongele quando acontece o acúmulo de neve e gelo no inverno. O excedente de energia é enviado para rede, para ser consumido pelos moradores locais.

Esse expediente contribuiu para que a Solmove recebesse ajuda do governo local. A prefeitura de Erfstadt assumiu 10% dos custos do projeto, enquanto o restante ficou a cargo da Iniciativa Nacional Para Proteção do Clima, do governo alemão. Ao todo, foram construídos 90 m² de ciclovia, com cerca de 200 m² de extensão, totalizando um investimento de 800 mil euros.

O próximo passo é testar in loco tudo que não pode ser testado em laboratório, como a resistência da malha solar à geada, ao peso do tráfego e a sua capacidade autolimpante.

A primeira ciclovia solar do mundo

Mas se a invenção alemã chama a atenção por seus usos variados, não se pode dizer que ela foi a primeira. Essa honra coube a Amsterdã, na Holanda. Utilizando um pavimento criado de placas voltaicas, o projeto SolaRoad – uma parceria público-privada da Organização Holandesa de Pesquisa Científica Aplicada (TNO) com a empresa de tecnologia Imtech – criou uma estrutura que gera cerca de 70 quilowatts/hora por m², quantia suficiente para abastecer três casas, desempenho ainda mais eficiente do que o alcançado em laboratório.

Mesmo sem ser utilizada em circuitos de aquecimento para derreter a neve, a energia gerada pela ciclovia holandesa também pode abastecer veículos elétricos e as redes de transmissão de eletricidade. A expectativa é que o projeto se pague dentro de 15 anos.

Os benefícios da energia solar

Mesmo menos eficientes que os painéis tradicionais, as ciclovias solares estão sendo exploradas pelos seus diversos benefícios. Entre os principais, podemos destacar:

Redução significativa na emissão de fases de efeito estufa.
Manutenção baixa e mais barata.
Utilização inteligente de espaço.
Não gera barulhos ou ruídos incômodos.
Impacto ambiental baixíssimo.
Energia inesgotável, limpa e renovável.

A cada dia que passa, nossos recursos naturais vão se esgotando mais e mais. A única saída para a preservação do meio ambiente para as gerações futuras é através da sustentabilidade. Por isso, medidas como a criação de ciclovias solares e o uso de energias limpas são fundamentais para a saúde do planeta e merecem toda a nossa atenção e o nosso apoio!

Fontes: Grupo Fragmaq [1, 2], Mobilize, ArchDaily e Autossustentável.