09 / nov / 2018

Incêndio no Museu Nacional: National Geographic faz filme sobre a tragédia

O incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, foi uma das maiores tragédias já ocorridas no nosso país em termos de cultura. O registro da história é um dos grandes pilares da civilização, uma forma de honrar o passado e aprender com ele para construir um futuro melhor.

Em um país como o Brasil, tão grande e diverso, com diferentes tipos de hábitos e costumes, a cultura possui um papel importantíssimo no desenvolvimento da sociedade. Quando um museu do tamanho e importância do Museu Nacional queima, é um pouco da nossa própria existência que se apaga. Mas essa tragédia foi muito além do simbolismo: vários itens do acervo possuíam valor científico e histórico inestimável e jamais poderão ser recuperados. Estima-se que cerca de 90% foi perdido para sempre.

Mas se há pouco a ser feito, felizmente existem pessoas e instituições fazendo o possível para preservar a história do quinto maior museu do mundo. E é sobre uma das mais importantes e significativas delas que vamos falar a seguir.

A National Geographic Society é uma das maiores organizações científicas e educacionais sem fins lucrativos do mundo. Sua atuação inclui um canal de televisão, uma revista, um site e diversos eventos ao redor do mundo que promovem o estudo da cultura mundial e a preservação da história.

Após o incêndio no Museu Nacional, a equipe da National Geographic decidiu fazer um documentário para celebrar a importância e manter viva a memória dos 200 anos de história da instituição brasileira.

O filme, intitulado “O Incêndio no Museu Nacional” integra uma série de vídeos da NG chamada “Explorer Investigation”, que oferece a abordagem da juventude para tratar dos desafios enfrentados pela América Latina. Ele é dividido em três partes: Patrimônio Histórico: Memória Coletiva, Ciência e História: Motor de Conhecimento e Impacto da Tragédia: Apontamentos Futuros e traz entrevistas com diversas pessoas ligadas ao Museu, como Alexander Keller, diretor do Museu; a antropóloga social Aparecida Villaça, professora do Museu Nacional, Cristina Menegazzi, responsável da UNESCO pela preservação do patrimônio histórico e cultural da Síria, entre outros.

O documentário “O Incêndio no Museu Nacional” estreou no dia 22 de outubro em todas as plataformas da National Geographic (aplicativo NatGeoApp, Youtube e canal de televisão).

O Museu Nacional

O Museu Nacional foi fundando em 1818 por Dom João VI no Rio de Janeiro e era a instituição científica mais antiga do Brasil. Antes, sua edificação sediou a família real português, abrigou a família imperial brasileira e sediou a primeira Assembleia Constituinte da República. Ainda no século XIX, passou a ser considerado como o museu mais importante da América Latina. Em 1938, foi tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e desde 1946 foi incorporado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O acervo do Museu Nacional contava com mais de 20 milhões de itens vindos de lugares do mundo todo, com coleções subdivididas em geologia, paleontologia, zoologia, botânica, etnologia, arqueologia e antropologia biológica. Sua biblioteca era uma das maiores do Brasil no ramo de ciências naturais, com mais de 470.000 volumes. Além disso, o Museu Nacional também oferecia cursos de extensão, especialização e pós-graduação e realizava exposições e atividades educacionais abertas ao público. 

Tragédia anunciada com perdas irreparáveis

No dia 2 de setembro, por volta das 19h30, um incêndio começou no Museu Nacional. As causas ainda são desconhecidas, mas hipóteses falam em curto-circuito e queda de balão. O fogo rapidamente se espalhou por toda a estrutura do museu, basicamente de madeira. Entre as perdas mais significativas do museu, estão:

  • O crânio de Luzia, o mais antigo esqueleto já encontrado nas Américas, com cerca de 11.500 anos de idade. Sua descoberta contribuiu para decifrar como aconteceu a ocupação do continente americano.
  • O Dinoprata, dinossauro Maxakalisaurus topai, encontrado em Minas Gerais, primeiro dinossauro de grande porte montado para exibição no Brasil.
  • Cabeça mumificada pelos povos da Amazônia Equatoriana, os Jivaro.
  • Acervo de cerca de cinco milhões de espécimes-tipo de insetos, exemplares que definem o padrão de toda uma espécie e não podem ser substituídos, considerado como inestimável pelo Museu.

O incêndio do Museu Nacional é um dos capítulos mais tristes do nosso país, que ganha contornos ainda piores quando lembramos que essa foi uma tragédia anunciada. O descaso com museus e instituições culturais resultou no incêndio de oito prédios nos últimos dez anos. Como consolação, restam iniciativas como as da National Geographic, que se por um lado não podem resgatar completamente o Museu Nacional e seu acervo, contribuem para, ao menos, manter vivas sua história e importância.